Pluft, Plaft Zoom e o Triptanol 25
O excesso abusivo.
Não me concentro na razão. Consciência indisciplinar, cavalga em direção ao nada. Saint Simon tinha uma segurança de mundo. Hoje eu pego o ônibus e olho duas ou três vezes, para cada lado. Em passos curtos, ou em passos largos. Você percebe como a perna treme, como a voz falha, insegura, como sempre se firma na hora de andar. Ele poderia ser o meu vizinho, e me dar conselhos na fila da banca de jornal. Ou me emprestar algum filme, que ele ache ser a minha cara. Pode ser que acerte, ou pode ser que não deposite nenhum pouco de confiança em mim. Como aquele vizinho, o bêbado de semanas atrás, bebia e falava merda as pencas no meu ouvido. Hoje ele quer comer mais um cu... e não quer que ela saiba que ele bebe e fuma como um cão. Cumprimenta-me de longe, resumindo o diálogo em um: - Tudo bem? Ele acha que eu não sei. Mas se eu estivesse na pele dele, querendo comer um cu, eu não ficaria bem se ele viesse falar comigo. Cara de louco, cabelo mal pensado. Fez bem.
Estava repensando sobre a minha senha de letras da conta no banco. F, Z, Q. A primeira letra eu passei a decorar como a inicial de uma ilícita. A segunda, o nome de uma avó, e a terceira o queijo. Achei palavras fortes, mas eu mudei. Procurei fugir delas: Farinha não faz bem a ninguém, minha avó nem é tão simpática assim. E o queijo, é, o queijo eu posso continuar.
Triptanol 25, como uma tropa de choque correndo nas suas veias, gosmentas e vermelhas. Indo à direção do músculo mais inútil que pulsa em algum lugar obscuro dentro de você, o triptanol te bate, e te apanha de um jeito, que você sabe que no dia seguinte ele vai voltar. E não será como uma música bem-vinda, que te lembra alguma viagem boa. As viagens são viagens. Mas agora eu ergo o pescoço um pouco mais, Saint Simon está morando ao lado.
Autor
- Gustavo Albano
- Nem todas as causas estão perdidas por completo. E nem os corações, partidos por inteiro. Aqui brilhará a esperança dos dias, dos momentos e dos tormentos. E na lembrança, resgatar todo o gosto das vidas vividas. E das noites interminavéis...
terça-feira, 6 de abril de 2010
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