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Nem todas as causas estão perdidas por completo. E nem os corações, partidos por inteiro. Aqui brilhará a esperança dos dias, dos momentos e dos tormentos. E na lembrança, resgatar todo o gosto das vidas vividas. E das noites interminavéis...

domingo, 11 de julho de 2010

Geração do Imediato



Sou fruto da geração do imediato, do primeiro impacto sem questionamentos. Do excesso abusivo de informação, que são grandes em quantidades e completamente ralas na qualidade. Onde a informação de todo o mundo me caí ao colo em segundos, e depois, mais informações caem-me as pencas. Não me dão tempo de absorver qualidade, brasileiro vive de boca aberta, boca-de-lixo. Aceita, recebe, engole sem mastigar, e abre a boca de novo para qualquer lixo que o jogarem, se entope como um urubu e se enche de conformismo. - Pensar faz a gente sofrer… dói sentir demais. E nos dão um pouco mais do excesso abusivo da ditadura visual: Usando a imagem para mostrar como você viverá melhor com tal carro, tal roupa, tênis, celular. E por todos os lados as cores confundindo a minha ótica ingênua e daltônica. Isso cega os leigos, deixam-nos de pança cheia e cabeça vazia! Vejo beleza numa flor murcha jogada ao chão, mas não consigo engolir comerciais de margarina, novelinhas de pré-adolescentes onde a primeira refeição do pobre é uma santa ceia, com suco de laranja natural e barrinha de cereal no final. Em que lugar do Brasil pobre toma o café da manhã, que o pobre da Malhação toma? O excesso de informação atrapalha uma absorção qualitativa, e recebemos informações erradas, e nem nos damos conta. Não engulo muito a estética de gente fútil. Consigo ver arte e beleza no auto-retrato de um velho cortador de cana. Com as mãos calejadas, de uma soberania que é incapaz de olhar para o lado. Minha geração fútil, que pouco sabe sobre arte, e que pouco seleciona as informações, e que tem tudo na mão, e se fosse uma geração um pouco mais crítica não viveríamos nesse lixão de futilidade. E nós somos apenas frutos de uma geração anterior que em algum momento errou, e o reflexo disso é a quantidade de lixo que nos cerca, e como essas gerações só tendem a piorar. E o quanto pesa. E o quanto a gente perde com isso. E o quanto a minha alma pena… Gustavo Albano

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A Repartição

A Repartição


Gordinhas desajeitadas, andando de salto alto pelos corredores. No almoço, o único horário que as deixam ver o Sol, tirando de manhã, quando vivenciam a luz do céu, pela janela do ônibus, ou pelo pouco espaço que sobra na janela do trem. Sentadas e alimentadas, criticam a repartição, que te tira o sono, e te enche o saco. Gordinhas desajeitadas, coitadas, se vocês ouvissem os objetivos delas. Enxergariam como o homem fede, e como ele abusa das gordinhas da repartição, vitimizadas em casa, na escola, e se sujeitam a esse tipo de trabalho como a sua última opção. Repartição, por que te quero? Por que me prende? Isso seria determinação, ou excesso de necessidade?

Os feios de gravata se prendem ao trabalho, e desconsideram uma vida fora da repartição. Quando não, se entopem de futebol, álcool e mulheres feias. Das virgens do pagode, as beatas do funk, eles só querem ver se o final de semana melhora um pouco mais, ou se vale uma gozada a mais. Acomodados, não vão ter algo muito longe daqui… Amargurados, esqueceram de lhe darem informação. Alienados! Gordinhos e gordinhas da repartição que enxergam o paraíso na próxima lanchonete do Mc Donald’s.

Corpus Christi

Vou engolir o choro
Engolir a seco
Engolir o feijão,

Deixar de manha,
E mais tarde beber a birita
Comer a farofa

Na quinta acordar bêbado
Carburar um pra relaxar
Beber mais um pouco,

Depois engolir a ressaca,
Engolir o engove,
Esconder as olheiras,

Deixar de preguiça,
Pegar o trem,
E sobreviver a sexta

domingo, 18 de abril de 2010

Esquece Não Pensa Mais...

Esquece Não Pensa Mais...

Minha mãe assiste novela todo o dia. Enquanto meu pai bebe caipirinha todo domingo depois do almoço, antes de dormir. Minha mãe se apega a todas as namoradas do meu irmão mais velho, e chora quando elas vão embora. Sobre mim, ela só se apega as minhas tristezas quando estou em dias ruins. E engole todo o meu excesso de raiva em dias difíceis. Desejo um bom dia para o meu pai, quando ele acorda e eu saio do banho pra ir trabalhar. Tenho visto muito pouco o meu irmão, e sinto falta de ouvir Chico com ele. O mundo me faz pouco caso, embora eu ainda sobreviva ao Panis et Circense. Enquanto sou mais um na cidade. Sou mais um na favela, na roda de cerveja, no reggae, no domingo com a avó. No amor, no ódio, no cansaço, na tristeza, no querer. Sou mais um mesmo sem saber o porquê. Não moro na Cidade das Flores, e não rezo antes de dormir. Não confio, e não acredito em nada que me faça se sentir inferior...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Pluft, Plaft Zoom e o Triptanol 25

Pluft, Plaft Zoom e o Triptanol 25

O excesso abusivo.

Não me concentro na razão. Consciência indisciplinar, cavalga em direção ao nada. Saint Simon tinha uma segurança de mundo. Hoje eu pego o ônibus e olho duas ou três vezes, para cada lado. Em passos curtos, ou em passos largos. Você percebe como a perna treme, como a voz falha, insegura, como sempre se firma na hora de andar. Ele poderia ser o meu vizinho, e me dar conselhos na fila da banca de jornal. Ou me emprestar algum filme, que ele ache ser a minha cara. Pode ser que acerte, ou pode ser que não deposite nenhum pouco de confiança em mim. Como aquele vizinho, o bêbado de semanas atrás, bebia e falava merda as pencas no meu ouvido. Hoje ele quer comer mais um cu... e não quer que ela saiba que ele bebe e fuma como um cão. Cumprimenta-me de longe, resumindo o diálogo em um: - Tudo bem? Ele acha que eu não sei. Mas se eu estivesse na pele dele, querendo comer um cu, eu não ficaria bem se ele viesse falar comigo. Cara de louco, cabelo mal pensado. Fez bem.

Estava repensando sobre a minha senha de letras da conta no banco. F, Z, Q. A primeira letra eu passei a decorar como a inicial de uma ilícita. A segunda, o nome de uma avó, e a terceira o queijo. Achei palavras fortes, mas eu mudei. Procurei fugir delas: Farinha não faz bem a ninguém, minha avó nem é tão simpática assim. E o queijo, é, o queijo eu posso continuar.

Triptanol 25, como uma tropa de choque correndo nas suas veias, gosmentas e vermelhas. Indo à direção do músculo mais inútil que pulsa em algum lugar obscuro dentro de você, o triptanol te bate, e te apanha de um jeito, que você sabe que no dia seguinte ele vai voltar. E não será como uma música bem-vinda, que te lembra alguma viagem boa. As viagens são viagens. Mas agora eu ergo o pescoço um pouco mais, Saint Simon está morando ao lado.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Passageiro

Passageiro

Herdeiro da probreza,
Arrasta-se com pernas fracas
Vai ser proletariado em outro estado
Vitíma da mais-valia
Bode expiatório do capital

Braços cansados de trabalhar
Ombros enfraquecidos
Pelo peso do luxo
E Deus tem uma parcela de culpa também.

E o Papa decreta abolição da camisinha,
E o choque invade a universidade outra vez.

O ônibus lotado,
O feijão gelado,
E não chega a próxima estação

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sinta o Vicio.

Sinta o Vicio.


Sinta o Vicio.

O vicio dos homens, um trago no café, uma baforada no cigarro. Apertar um, esticar uma. O álcool, a gula, todo o prazer estraga os dentes. O vicio é um luxo que nos mata aos poucos. Distorce, e faz com que aceitemos a vida com mais facilidade. Dentes amarelados, trincados, banhados de café ou de cerveja. E na transa, molhado de saliva, corpos suados, coro a coro. Do lado um do outro, de frente, de costas, deitado. Cenário abstrato dentro da alma. Uma música, um desabafo, um choro um grito, o mundo anda tão complicado, e eu tomando chuva. A maconha é ilegal, o abuso é pecado. A homossexualidade é doença, e não é aceita como amor. Um poema novo para um velho problema. Que ninguém vê, que ninguém quer ver. Só querem um dia de cada vez, e eu quero o mundo dentro do meu peito pulsando, mas o mundo não me quer tanto assim. E várias pessoas que eu mal vi a cor dos olhos se foram, algumas pobres como as outras, que também não enxergavam. Alguns poucos revolucionários de baixo da terra, dentro de um mundo que não lhe pertence mais. E eu queria ser cantor, seria mais fácil, poderia exagerar. Se você é um anônimo que morre de overdose é só mais um drogado. Se você é artista e morre de overdose o buraco é mais em baixo, e farão passeatas em sua memória.

E a vida é uma loucura, o transito, a política, o sistema, as pessoas. E nos deixa assim meio sem chão, meio descalços, assim no ritmo da vida. Da loucura. Mas ainda assim existe o tempo, e existe a razão. Entrelaçados dentro do cotidiano, entrelaçados dentro de nós. E não há vicio tão vago, quanto acender um cigarro e debater sobre a escuridão...